quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Quando reagir

Há vezes que leio as notícias e fico indignada. Não só por causa da violência em si, que já é assunto para muitas horas de conversa, mas como reagimos diante da violência me impressiona. Alguns diretamente não reagem. Nem dão assistência às pessoas que estão em frente, precisando de uma ajuda emergencial. Acho importante falar disso. Outro dia, caminhando pelo bairro, quando ia comprar numa ótima minhas lentes acuvue, vi uma moça ser assaltada com arma de fogo. Me protegi, pois não sabia o que poderia acontecer, mas de onde eu estava chamei a policia. Vi todo o assalto com um medo danado de me aproximar. Durou alguns minutos, mas para mim pareceu que foram horas. Meu coração estava na mão e fiquei muito angustiada pela moça. Lamentavelmente ela reagiu. Coisa que as pessoas não devem fazer diante de uma arma de fogo. Nunca se sabe quem a está portando e não tem nada que vale mais a pena que a vida de uma pessoa. Mas finalmente o assaltante levou a bolsa da mulher e saiu correndo. Ela sentou na rua, assustada e chorando. Mas não se dava conta do milagre que lhe havia sucedido. Apenas pensava nos seus pertences e no salário que havia retirado do banco e que estava na bolsa que levaram. Ela me contou de contas para pagar, do sacrifício que fazia e que num piscar de olhos estavam levando a dignidade dela. Me comovi. Era uma trabalhadora como eu. E tentei convence-la que no próximo mês ela iria recuperar tudo isso e mais, que estar viva era um milagre para agradecer sempre, pois ela continuou com seu corpo intacto e ileso para seguir o caminho da vida, mesmo com todo o susto. Sei que isso é pouco argumento, mas sair ferido ou mesmo sem vida é a maior desgraça que pode acontecer, para quem acontece o feito, para as pessoas ao redor, família, amigos, todos. Não se deve reagir.